Pesquisa com pessoas que tiveram AVC busca voluntários

Pessoas que tiveram Acidente Vascular Cerebral (AVC) há pelo menos três meses podem participar como voluntárias de uma pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). O estudo busca avaliar uma nova escala desenvolvida para identificar, de forma simples e visual, como pessoas após AVC realizam movimentos durante atividades do dia a dia e quais estratégias compensatórias utilizam para completar essas tarefas.
A ferramenta, denominada Movement Compensatory Screening (MoCS), permite que profissionais observem aspectos relacionados à qualidade do movimento durante tarefas de mobilidade e controle postural, como levantar-se de uma cadeira, caminhar, subir e descer degraus e permanecer em pé enquanto transporta objetos.
Trata-se do projeto de pesquisa de doutorado do aluno Pedro Henrique Sousa Andrade vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação Física da UFTM, intitulado: “Análise das propriedades de medida da escala Movement Compensatory Screening (MoCS) em indivíduos após Acidente Vascular Cerebral: estrutura interna, validade de construto, confiabilidade e capacidade preditiva”.
O projeto multicêntrico conta com colaboração internacional. Na UFTM, a pesquisa está vinculada ao Programa de Pós-graduação em Educação Física, ao Departamento de Fisioterapia Aplicada e ao Laboratório de Neurociências e Controle Motor (Neurocom-UFTM), coordenado pelo professor Gustavo José Luvizutto, do curso de Fisioterapia. Além disso, há parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), no auxílio à análise do movimento por meio de inteligência artificial, e com o Instituto Politécnico do Porto, em Portugal, onde serão realizadas análises dos dados. O projeto conta com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFTM (CEP/UFTM).
A pesquisa será realizada em dois dias de avaliação, com intervalo máximo de uma semana entre os encontros, além de um acompanhamento após seis meses. As datas e horários serão combinados de acordo com a disponibilidade do pesquisador e do participante.
A pesquisa
Após um AVC, algumas pessoas passam a realizar atividades cotidianas de maneira diferente daquela utilizada antes da doença. Para conseguir levantar-se, caminhar, subir um degrau ou alcançar e transportar um objeto, por exemplo, podem surgir estratégias compensatórias, nas quais outras partes do corpo ou diferentes formas de movimento são utilizadas para completar a tarefa.

“Essas estratégias podem permitir que a pessoa realize determinada atividade, mas apenas verificar se ela conseguiu ou não completar uma tarefa não mostra necessariamente como aquele movimento foi realizado. É justamente esse aspecto que a MoCS procura avaliar. A Movement Compensatory Screening foi desenvolvida pelo nosso grupo de pesquisa, o Neurocom-UFTM, para permitir a observação sistematizada das estratégias utilizadas por pessoas após AVC durante tarefas de mobilidade e controle postural. Nosso interesse não é apenas saber se a pessoa consegue realizar determinada atividade, mas compreender como ela organiza o movimento para conseguir executá-la”, explica o professor Gustavo.

O processo de desenvolvimento da escala e sua validade de conteúdo já foram publicados na revista Neurorehabilitation and Neural Repair. Agora, os pesquisadores querem verificar se a escala funciona de forma adequada, se produz resultados consistentes entre diferentes avaliações e se pode ajudar a compreender e acompanhar a evolução das pessoas após o AVC.
Essas análises são importantes para determinar se a escala apresenta características adequadas para ser utilizada futuramente tanto na prática clínica quanto em pesquisas envolvendo pessoas após AVC.
Avaliação do voluntário
Durante a participação, serão aplicadas escalas e testes para caracterizar aspectos clínicos e funcionais relacionados ao AVC. Depois, o participante realizará as tarefas avaliadas pela MoCS.
A avaliação inclui quatro situações semelhantes a atividades realizadas no cotidiano: sentar e levantar de uma cadeira; caminhar por cinco metros; subir e descer degraus; permanecer em pé enquanto transporta objetos de uma prateleira.

Durante essas atividades, os pesquisadores observarão como os movimentos são realizados e quais estratégias compensatórias aparecem durante sua execução.
As tarefas serão registradas em vídeo para que posteriormente possam ser avaliadas pelos pesquisadores. Esses registros também permitirão verificar a confiabilidade da escala, ou seja, se diferentes avaliadores conseguem utilizá-la de maneira consistente.
“Os registros serão utilizados exclusivamente para fins científicos, não serão divulgados publicamente e terão acesso restrito à equipe de pesquisa. Toda participação será voluntária e formalizada por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e do Termo de Concessão do Direito de Uso de Imagem, assegurando a confidencialidade, a privacidade e os direitos dos participantes”, explica o docente da UFTM.
Como participar
Podem participar pessoas com diagnóstico de AVC há pelo menos três meses que atendam aos critérios estabelecidos pela pesquisa.
Os interessados podem entrar em contato com um dos pesquisadores responsáveis por telefone, ligação ou WhatsApp, pelos números (35) 9 9991-8800 ou (16) 9 9729-6628, ou pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., para obter mais informações e agendar a avaliação.
Imagens: Pedro Henrique Sousa Andrade
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